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<channel><title><![CDATA[TABEIROSMONTES - Susana S&aacute;nchez Arins]]></title><link><![CDATA[https://www.tabeirosmontes.com/susana-saacutenchez-arins]]></link><description><![CDATA[Susana S&aacute;nchez Arins]]></description><pubDate>Tue, 12 May 2026 02:36:52 +0200</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[desculpas]]></title><link><![CDATA[https://www.tabeirosmontes.com/susana-saacutenchez-arins/desculpas]]></link><comments><![CDATA[https://www.tabeirosmontes.com/susana-saacutenchez-arins/desculpas#comments]]></comments><pubDate>Tue, 14 Jan 2014 08:03:56 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.tabeirosmontes.com/susana-saacutenchez-arins/desculpas</guid><description><![CDATA[Jesús Puente, Alcalde da Estrada e xastre Este &eacute; um poema dedicado &agrave; &uacute;ltima corpora&ccedil;&atilde;o estradense republicana. O alcalde e os seus concelheiros s&oacute; nos pediram &agrave; povoa&ccedil;&atilde;o estradense, numa derradeira carta, duas cousas: que os lembr&aacute;ssemos dando-lhe o nome de M&aacute;rtires da Estrada a uma rua e que incorpor&aacute;ssemos essa carta ao livro de actas do Concelho quando fosse recuperada a normalidade democr&aacute;tica. A dia  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='display: table;width:auto;position:relative;float:left;max-width:100%;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a href='https://www.tabeirosmontes.com/uploads/1/9/6/2/19629509/1830925_orig.jpg' rel='lightbox' onclick='if (!lightboxLoaded) return false'><img src="https://www.tabeirosmontes.com/uploads/1/9/6/2/19629509/1830925.jpg" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px; max-width:100%" alt=" Imagem " class="galleryImageBorder wsite-image" /></a><span style="display: table-caption; caption-side: bottom; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption">Jes&uacute;s Puente, Alcalde da Estrada e xastre</span></span> <div class="paragraph" style="text-align:justify;display:block;"><font color="#2a2a2a"><em>Este &eacute; um poema dedicado &agrave; &uacute;ltima corpora&ccedil;&atilde;o estradense republicana. O alcalde e os seus concelheiros s&oacute; nos pediram &agrave; povoa&ccedil;&atilde;o estradense, numa derradeira carta, duas cousas: que os lembr&aacute;ssemos dando-lhe o nome de M&aacute;rtires da Estrada a uma rua e que incorpor&aacute;ssemos essa carta ao livro de actas do Concelho quando fosse recuperada a normalidade democr&aacute;tica. A dia de hoje n&atilde;o lhes temos cumprida nem uma peti&ccedil;&atilde;o nem &nbsp;outra.&nbsp;</em><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><font size="4"><strong>desculpas</strong></font><br /><br />desde aqui quero pedir-vos desculpas<br />a todos v&oacute;s<br />amigos mortos passeados assassinados<br /><br />por n&atilde;o cumprirmos hoje o vosso legado<br />por arrombar-vos como trastes&nbsp;<br />no faio do esquecido&nbsp;<br />t&atilde;o abandonados<br />por n&atilde;o aprendermos os vossos olhos<br />as vossas faces as enrugas todas&nbsp;<br />da vossa pele<br />por n&atilde;o desenhar cem socos que vos adignem<br />os p&eacute;s espidos &nbsp; &nbsp;esses que vos descal&ccedil;&aacute;rom<br />por n&atilde;o cozer-vos um p&atilde;o que amamentasse<br />os fracos filhos e famintos<br />por n&atilde;o encher com os vossos nomes<br />todos os sil&ecirc;ncios obrigados<br />por deixar crescer o ermo em hortas e veigas &nbsp;<br />sem lograr uma maceira no esterco&nbsp;<br />que v&oacute;s abrolhastes<br /><br />n&atilde;o temos escusa<br /><br />m&atilde;os que tanto construirom&nbsp;<br />a v&oacute;s pido que nos absolvades&nbsp;<br />por n&atilde;o recome&ccedil;ar a pontelha<br />que a enchente vos arruinou<br />por deixar que o verme a cou&ccedil;a&nbsp;<br />faga serraduras&nbsp;<br />das traves cumpridas que v&oacute;s cinzelastes<br />e que n&oacute;s deviamos ter telhado&nbsp;<br />com cravos rosas flores de arrecendo<br /><br />desculpai<br /><br />por fazer do vosso futuro<br />t&atilde;o aginha derrubado&nbsp;<br />um novo vertedoiro incontrolado<br />por n&atilde;o fazermos nada dos cascalhos<br /><br />assim estamos agora&nbsp;<br />dormindo ao relento<br /><br />sem o abrigo da mem&oacute;ria</font><br /></div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[o carvalho do fojo]]></title><link><![CDATA[https://www.tabeirosmontes.com/susana-saacutenchez-arins/o-carvalho-do-fojo]]></link><comments><![CDATA[https://www.tabeirosmontes.com/susana-saacutenchez-arins/o-carvalho-do-fojo#comments]]></comments><pubDate>Tue, 14 Jan 2014 07:59:52 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.tabeirosmontes.com/susana-saacutenchez-arins/o-carvalho-do-fojo</guid><description><![CDATA[ no p&aacute;tio da casa-escola nasceu um carvalho. foi milagrento.as mestras do fojo pediram um arranjo do recinto, porque a meninhada brincava nas po&ccedil;as quando a ch&uacute;via e na poeira quando o sol. o concelho encheu o p&aacute;tio de seixo. ademais, em cada recreio, uma turva de mais de quarenta crian&ccedil;as (eram tempos em que as aldeias tinham crian&ccedil;as) irrompia desde as aulas feita marabunta.&nbsp;e a&iacute;, no ermo de um p&aacute;tio de rebo esmagado por p&eacute;s d [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='z-index:10;position:relative;float:left;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="https://www.tabeirosmontes.com/uploads/1/9/6/2/19629509/8574944.jpg" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px;" alt=" Imagem " class="galleryImageBorder" /></a><span style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="text-align:justify;display:block;">no p&aacute;tio da casa-escola nasceu um carvalho. foi milagrento.<br /><br />as mestras do fojo pediram um arranjo do recinto, porque a meninhada brincava nas po&ccedil;as quando a ch&uacute;via e na poeira quando o sol. o concelho encheu o p&aacute;tio de seixo. ademais, em cada recreio, uma turva de mais de quarenta crian&ccedil;as (eram tempos em que as aldeias tinham crian&ccedil;as) irrompia desde as aulas feita marabunta.&nbsp;<br /><br />e a&iacute;, no ermo de um p&aacute;tio de rebo esmagado por p&eacute;s de meninhos corredores, nasceu um carvalho.&nbsp;<br /><br />para n&oacute;s foi assim t&atilde;o milagreiro que nos lembro indo junto minha m&atilde;e anunciando a boa nova. como se em vez de carvalho nascera um cristinho. tinha que ter nascido dalgum esp&iacute;rito santo, porque na volta n&atilde;o havia nengum carvalho grande que pudera fazer de pai, t&atilde;o sequer putativo.&nbsp;<br /><br />daquela, o rebento virou o nosso protegido. n&atilde;o deixavamos a ningu&eacute;m toc&aacute;-lo. se vinham dias de seca, regavamo-lo, arrincavamos as ervas para que colhera o sol... e aprendemos que isso de que as &aacute;rvores galegas crescem lentas era uma mentira enorme. porque viamos a &aacute;rvore crescer.<br /><br />anos depois, nos nossos doze anos de tardes de ver&atilde;o eternas jogando &agrave;s escondidas, o agocho preferido era tombar-nos no ch&atilde;o por tr&aacute;s de um carvalhote que j&aacute; nos chegava pola cintura. um carvalhote que saiu especial, pois deu em botar dous galhos e apontar ao c&eacute;u em duas direc&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<br /><br />para ele n&atilde;o sentir-se sozinho nesse ermo de p&aacute;tio de escola, roubamos no monte um acrivro e plantamos-lho ao car&atilde;o. um dia descobrimos uma planta estranha agromando ao seu p&eacute;: a silbarbeira. e uns tempos depois, numa das nossas incurs&otilde;es no monte vizinho, demos com um triste e pequeneiro castanheiro abrindo-se caminho entre eucaliptos e pinheiros. decidimos que havia crescer melhor perto do carvalho. e uma tarde, uma panda de nenas e nenos surgimos da espessura custodiando ao meu irm&atilde;o, que puxava pola carretilha onde viajava &agrave; &aacute;rvore rumo a um mundo novo.<br /><br />hoje, carvalho, acivro, castanheiro e silbarbeira continuam a acompanhar as nossas vidas. est&aacute;m grandes e frondosos. o p&aacute;tio de seixos virou jardim rebordante de &aacute;rvores, que podem parecer velhas, mas n&atilde;o passam das duas d&eacute;cadas. quando as minhas sobrinhas, hoje bebas, fagam os doze anos, e se incomodem com os av&oacute;s porque n&atilde;o as deixem sair ou jogar na play poder&aacute;m fugir da casa, agatunhar &aacute;rvores acima e ruminar a sua adolesc&ecirc;ncia entre as folhas do carvalho.<br /><br />e saber&aacute;m o que n&oacute;s ignoravamos: que esse carvalho n&atilde;o foi um milagre mas o resto de um naufr&aacute;gio: porque a casa-escola e toda a aldeia do fojo est&aacute;m edificadas na que f&oacute;ra a carvalheira do rei, pouco a pouco, em s&oacute; cinquenta anos, tron&ccedil;ada e reduzida ao nada para erigir casas, cortes, eiras, alpendres e pistas.&nbsp;<br /><br />a landra que abrolhou no p&aacute;tio da casa-escola n&atilde;o era outra cousa que a mem&oacute;ria do lugar negando-se ao esquecemento.</div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>]]></content:encoded></item></channel></rss>